O QUE É EXPERTISE

1. Expertise constitui uma avaliação apropriada e minuciosa sobre questões de qualidade e atribuição de uma dada obra de arte. Trata-se, em verdade, de uma reação emocional à arte, fundamentada em conhecimentos de natureza teórica e sensitiva que a rigor devem convergir.

O Valor do Talento na Expertise

Experts  reagem ativamente sobre obras de artes, emitindo parecer/laudo  sobre um ou vários vários aspectos. Um Expert em obra pictórica reconhecerá matizes, ambiência, a fatura peculiar, a fase, a temática típica, assim como a própria qualidade e deficiências da obra submetida à sua apreciação. Dada a abrangência da avaliação, um Expert é, em geral, alguém profundamente familiarizado não apenas com a história da arte mas em particular o Zeitgeist do pintor em questão. Contudo, existem também Experts inteiramente “instintivos”, dotados de talento exclusivamente intuitivo , sem que necessariamente – e não raramente, felizmente – sejam versados por demais em teoria e história da arte, o que segundo um das maiores autoridades no assunto, Max Jakob Friedländer, constitui até mesmo a vantagem principal.
E aqui reside a principal diferença: haver cursado uma universidade em história da arte ou ter um diploma em restauração não constituem, necessariamente, o elemento fundamental da capacidade de identificar uma tela ou uma porcelana. O conhecimento internalizado, provindo da experiência e a intuição talentosa desempenham em verdade o papel fundamental em matéria de expertise.


 Morelli, Berenson e Friedländer tinhas todos sólidos fundamentos teóricos, mas era sobretudo na vasta na experiência de suas sensibilidades estéticas e na vivência das observações visuais que residia o fator principal de suas expertises.

2. As tecnologias disponíveis para Autenticação

Muitos acreditam que a tecnologia de que hoje dispomos é determinante para estabelecer uma autoria. Ledo engano. Não cabe dúvida que um exame de Raio-X, a luz infravermelha, o exame de carbono 14, fotografias de alta resolução, scanners, radiogramas de emissão eletrônica e outros recursos de alta tecnologia podem ajudar a determinar e serem mesmo decisivos na comprovação de autenticidade ou da antiguidade de uma pintura, uma escultura ou de uma porcelana. Mas ainda que uma tela, os pigmentos, o tema, o tipo de fatura ou a moldura sejam atestados como de certa época,nem por isso se terá certeza de ser a peça genuína, ou seja, não ser uma contrafação. O objeto de arte tanto pode ser uma falsificação feita a partir de material de época (tela, pigmentos, madeira, porcelena, etc) quanto ser uma falsificação da própria época. E então embora os aparelhos sofisticados atestem a veracidade do material e os livros a veracidade temática, apenas a opinião subjetiva do expert de talento será decisiva para soar o alarme.

3. Assinaturas

Uma assinatura numa tela ou peça constitui elemento deveras precário como determinante isolado de autenticidade.
Falsificar uma assinatura é incomparavelmente mais fácil do que forjar uma tela falsificada. Mas a assinatura, como parte do conjunto de elementos de uma determinação de autenticidade pode ser elemento constitutivo fundamental. 
Além do mais, inúmeros são os mestres antigos que simplesmente não assinavam suas obras. Durante os séculos XV, XVI e XVII a incidência de artistas que assinavam suas obras é modesta. É sobretudo a partir de meados do século XVIII que assinar as telas passa a ser moeda corrente. Monogramas também fazem parte do processo de verificação da assinatura do artista.

4. Material e Instrumental do artista

À partir do século XVIII, o artista passa cada vez mais a adquirir no mercado os instrumentos e materiais de seu ofício – tintas, pincéis, telas – e, portanto, sua intervenção pessoal passa a não ser mais representativa de uma marca de autenticidade em termos de fonte do suporte.
Se, no caso do livro raro, poder determinar a época do papel por seu tipo e sobretudo a época do fabricante a partir das marcas d`água é na vasta maioria dos casos crucial, no caso das telas a constatação da época do fabricante da tela desempenha modesto papel na determinação da autoria

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5. RaioX

O uso do Raio-X para ajudar na autenticação de quadros já tem mais de 110 anos, já que sua história começa em 1896 em Frankfurt/Main, Alemanha. 
O uso do Raio-X e outros métodos forênsicos, combinados com toda uma série de recursos comparativistas, apoiados não menos por pesquisa de arquivos, documentação de compra/venda, enfim, uma estratégia combinada para fortalecer o parecer de autenticidade.

6. Desenhos

Desenhos são em princípio feitos a lápis. mas também são considerados como tais aqueles feitos por caneta, carvão, …. podendo lhes ser incorporado tinta guache.
 As aquarelas são em verdade desenhos e não uma espécie de pintura. A razão disso reside no seu modo de produção, ou seja, começam como desenho e coloração vem a posteriori. Os pastéis são desenhos se forem considerados como estudos e esboços; caso contrário são considerados pinturas

7. Papéis

No Ocidente sabe-se da primeira borra de papel a partir do ano 1250, ma sua invenção ocorreu na China quase mil anos antes. Contudo, foi somente no século XV que teve início o emprego do papel na produção ocidental, mais precisamente por volta de 1455, quando Gutenberg imprimiu sua famosa Bíblia. Cerca de 45 dos 180 exemplares da Bíblia foram ainda produzidos em pergaminho. O papel era ainda muito caro e até cerca de 1500 ainda oferecia certa dificuldade de disponibilidade. É por esta razão que a maioria dos desenhos sobre papel somente ocorrem a partir de 1500.

Marcas D`Agua. As marcas d`água presentes nas folhas de papel oferecem valiosa informação sobre o fabricante, o local e a data da produção. Tanto no caso dos livros quanto das gravuras antigas ( a rigor até meados do século XVIII ) a marca d`água desempenha importante parte no processo de verificação de autenticidade.

8. Procedência

Procedência significa origem. A proveniência de um quadro fala de sua origem e de sua história. Uma linhagem completa de proveniência representa a genealogia de posse da obra, em certos casos desde a saída da obra do ateliê do artista ate o momento atual.
 Exemplo de Reconstrução genealógica de Procedência de uma tela de Van Gogh:
 A tela pertence agora, 2011, a alguém que a recebeu como herança do espólio de Johan Franco, em Virginia. Johan Franco nascera na Holanda em 12 de julho de 1908, filho de Margaretha Josephine Elisabeth Cohen Gosschalk Franco (1877-1913). O irmão de Margaretha Josephine Elisabeth Cohen Gosschalk Francos , Johan Cohen Gosschalk (1873 – 1912), casara-seou-se em 1901 com a viúva de Theo van Goghs, Johanna Gesina van Gogh-Bongers (1862-1925), cerca de 10 anos após o falecimento deste.
Theo van Gogh irmão do pintor, falecera em 1891, deixando para sua esposa para a sua esposa um conjunto de telas de Vincent van Gogh, que ao falecer um ano antes, 1890 lhe deixara como legado. Portanto, procedência sólida e comprovada por documentos.

Não obstante ser uma tal sequência comprovada de eventos  fundamental, existe também a possibilidade de uma montagem genealógica quanto a procedência, feita a partir de documentos e “liasons” forjadas com documentos “frios”.

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