Perfil Intelectual

Jesualdo Correia

Jesualdo Correia

Nota de Antonio Houaiss sobre Jesualdo no livro ‘Pelas trilhas do Oriente’

O autor deste Pelas trilhas do Oriente, Jesualdo Correia, é um dos raros orientalistas brasileiros “por dentro”: e dúplice ou triplicimente por dentro: porque seu orientalismo já vive como uma constante vital e vivencial há mais da metade de sua vida; porque seu orientalismo se nutre em fontes escritas que ele domina em primeira mão – conhecedor que é de uma dezena de línguas de cultura, dentre as românicas, as nórdicas, as anglo-saxônicas, as eslavas, as semiticas, o sânscrito e outras línguas extremo-orientais; e porque, a uma busca constante nos livros, aliou a experiência do peregrino que tem sido há vários anos por plagas orientais. Esse conjunto de dados é de importância capital para a apreciação deste ensaio, rico de ensinamento e de impressões, postos em linguagem cativante.

Mas eu proporia que o imediato futuro leitor deste livro juntasse, às considerações acima, a lembrança de algo também importante: grande parte do conhecimento do Oriente se transmitiu ao Ocidente, a partir dos inícios do século XVI, por via da nossa língua portuguesa – fazendo assim que um certo tipo específico de apreensão do real oriental, por via lusa, nos fosse mais sensível e perceptível: era (quando não uma visão colonialista) uma visão reveladora de riquezas, maravilhas, sabedoria e exotismos aproveitáveis, e aproveitáveis mesmo manu militari ou manu mercantili.

Isso aumenta de valor em se tratando deste autor: porque, brasileiro, sua visão, antiga, clássica e moderna, das coisas orientais, se faz segundo um ponto de vista que tem muito de mim, de você, leitor, de quase todos nós, brasileiros. Por isso, sua visão é fecunda, pois se nutre na coleta de dados e impressões e na indução e dedução de fatos e noções orientais, da íntima convicção de que uma “ponte” – que nos poderá levar sãos e salvos ao futuro – deve ser desde já lançada entre nós e orientais, acima ou por cima ou à margem do europeicentrismo e seus correlatos que – embora hábeis no explorá-las – não se estão revelando capazes de entender seis das sete partidas do mundo.

Estou certo de que o favor público para com este livro irá ser um estímulo para que seu Autor realize entre nós obra de primeira plana como orientalista, o que só por si constitui algo de que podemos rejubilar-nos. Seus projetos de trabalho são uma promessa que devemos amparar para que floreçam num orientalismo, por hora desértico entre nós, firmado em raizes de saber profundo.

André Bueno: – Os viajantes brasileiros na China::

“Nos anos 70, Jesualdo Correia percorreu vários países asiáticos por uma década, e recontou suas experiências no livro Trilhas do Oriente, lançado em 1998. Jesualdo é um erudito, com vasta experiência no orientalismo, e provavelmente um dos últimos e legítimos viajantes brasileiros nas paragens asiáticas antes desses tempos recentes. Ele testemunhou a passagem de uma Ásia antiga, historicamente tumultuada, mas que ao mesmo tempo, preservava algumas de suas tradições e modos de vida que hoje já não se encontram mais facilmente.”

::Revista NetHistória – Seção Ensaios – Os viajantes brasileiros na China::(Palavras-chave: Ensaios-

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