O MÉTODO MILITAR DE SUN ZI: ASPECTOS FILOSÓFICOS E GEOPOLÍTICOS

O MÉTODO MILITAR DE SUN ZI: ASPECTOS  FILOSÓFICOS E GEOPOLÍTICOS

                                          Jesualdo Correia

 

兵 者, 国之 大 事…。不 可 不 察 也!  

“A Guerra é Grande Assunto de Estado… não pode deixar de ser (exaustivamente) investigado.”

 Abstract: This essay tries to capture some fundamental and often neglected aspects of this masterpiece, the Sun Zi  Bingfa, as well as its underlying, subtle and fully matured psychology,  solid epistemological démarche, geopolitical immanence and metaphysical refrained pregnancies. The essay also studies the text in its historical context and the intimate, genealogical ties with other texts of the Chinese Military canon (dianji, 典籍), most particularly that of his descendant, the Sun Bin Bingfa. Various key concepts of Chinese mind, which find also their way into the Art of War, are here picked up and revealed as belonging to the core worldview of the text. A synchronic cut is made as to cast light on the contemporary applications of that ancient Chinese Science/Art, most particularly in the field of geopolitics. An inside-the-text concise excursus brings forth the importance of the so-called 36 Stratagems within the general framework of the Chinese military mind. The Art of War as a metaphor of inner war is also not disregarded.

O Sun Zi Bingfa, o “Método Militar”, conhecido mundialmente como A Arte da Guerra, à exemplo do Yi Jing, das obras de Lao Zi, Zhuang Zi, dos clássicos do Confucianismo e de outros textos exponenciais, firmou-se como um dos cânones da civilizacão chinesa. Constitui, portanto, um dos vários pilares da visão múltipla de mundo e dos paradigmas cognitivos do Império do Centro.

Cerca de dois mil e duzentos anos mais antigo do que o estudo sobre a guerra de Clausewitz (1814 )-, e de uns mil e novecentos daquele de Maquiavel (1513), o tratado chinês é  universalmente reconhecido como superior em sua fundamentacão textual, profunda finesse psicológica, na lucidez de seu eixo epistemológico e rationale, na periscópica e sutil dialética abordagem dos tópicos analisados, nas suas drásticas e chocantes receitas para situacões específicas e, não menos, pelo caráter extremamente sucinto de sua sintaxe, dotada de estilo seco, quasi-sútrico, embora despojadamente exuberante pela forca das imagens que evoca e pela cadência rítmica, tão próprias dos textos em chinês clássico.

Dentre aproximadamente uma dezena de outros textos canônicos da tradicão militar chinesa, a “Arte da Guerra”, a rigor O Método Militar, destaca-se como primus inter pares, a referência maior, aquele que inauguralmente encapsula todos os princípios e diretrizes dessa antiga ciência/arte do pensamento militar chinês. Em imediato grau de importância, o tratado de Sun Zi é seguido pelo do seu bisneto, Sun Bin, e que leva também o mesmo título  – Bingfa -, e sobre o qual discorrerei um pouco mais detalhadamente adiante.

O tratado de Sun Zi é datado, na média das opiniões dos estudiosos, como tendo sido composto em torno de meados do século V antes de Cristo, embora alguns eruditos chineses tendam a situá-lo mais cedo, praticamente como um contemporâneo de Confúcio. Seja como for, inegável é que o texto surge no início do período dos chamados Estados/Reinos Combatentes (Zhang Guo) –  472-221 a.C. -, época final da decadente e cada vez mais dilacerada dinastia Zhou, que se iniciara com a queda da dinastia Shang, em cerca de 1122/1046 a.C.

Por conseguinte, essa obra representa, eloquentemente, o Zeitgeist da época de seu autor, Sun Zi ( Mestre Sun ), que era originário da província de Chu e viria a servir ao pequeno Estado de Wu, um dentre os sete que ferozmente guerreavam entre si nesse período, até por fim sucumbirem diante da hegemonia dos Qin, comandados por aquele que viria a ser o Grande Imperador da China reunificada, Shi HuangDi (始皇帝)

A referência biográfica clássica sobre a vida de Sun Zi encontra-se nas Memórias Históricas  (shi ji, 史記) do cronista Sima Qian (司馬遷),  que data do final do primeiro século da era cristã. Existe uma outra fonte,  segunda em importância, o Wu Yue Qiun-jiu. Neste último texto é relatado o lendário e bizarro episódio que dá conta de haver sido a Sun Zi solicitado, pelo  rei do estado de Wu, que expusesse as suas habilidades de organização e comando. Sun Zi prontamente respondeu ao pedido e sugeriu que se fizesse uso das mulheres do palácio para tal finalidade, no que o rei concordou. Após equipar umas 300 cortesãs com capacete, espada e armadura, Sun Zi sugeriu ao Rei que dispusesse de duas das suas concubinas para atuarem como comandantes, no que o rei também concordou. A seguir, ensinou a companhia a prestar atenção aos diferentes toques dos tambores e como se conduzirem para esquerda, direita,  avançar, recuar, etc, de acordo com as ordens recebidas. As mulheres, contudo, não conseguiam conter o riso, de tão inusitado que deveria lhes estar parecendo tudo aquilo. Sun Zi bateu então ele mesmo os tambores e deu ordens. As mulheres continuavam rindo, o que começou a enfurecê-lo. Ele então ordenou que os machados de execução fossem trazidos. A seguir disse, semi-exaltado:

“Se as instruções não são claras e por isso não são levadas à sério, a culpa é do general. Mas quando as mesmas ordens são dadas várias vezes e não são atendidas, a culpa é dos oficiais-comandantes. Nesse caso a punicão é a decapitação e então ordenou que as duas mulheres designadas como comandantes fossem decapitadas. O rei, sobressaltado, tentou interceder, alegando que não poderia abrir de suas concubinas, mas Sun Zi, como que dotado de um estrito código protocolar retrucou que, de acordo com as leis vigentes, ele recebera a investidura (shou ming, ) de general (jiang,蔣) e que detinha o poder  de levar adiante as punições prescritas. E fez com que as  mulheres fossem de fato  decapitadas.

Sun Zi voltou então a dar os comandos para a “tropa”, que passou a atender todas as ordens prontamente. Terminado o treinamento geral, virou-se para o rei de Wu, que se encontrava mais acima numa plataforma e disse: “A formação está agora pronta para combate.”

O rei de Wu tergiversou por algum tempo (o que teria ocasionado a observação de Sun Zi de que o rei “gostava muito de palavras, mas que na hora da ação…”), talvez assustado com a determinação do estrategista, mas acabou por investi-lo com o mandato para guerrear o Estado de Chu, o que ele fez e saiu-se vitorioso.

Um outro pensador militar de fundamental importância foi Sima Rangju (司馬穰苴) – também conhecido como Tian Rangju (田穰苴), mas cujo nome de família era Gui (嬀)-. originário do Estado de Qi e atuante ainda no final do período da Primavera e Outono, portanto anterior ao nosso Sun Zi e certamente um contemporâneo de Confucio. Suas idéias militares foram bem mais tarde compiladas e passaram a ser conhecidas como o Si Ma Fa (司馬法) “Método de Si Ma” ou do  Cavaleiro-Mór ou o correspondente ao Ministro da Guerra). Outros nomes do período ainda dos Estados Guerreiros ( 戰國 ) são Wu Qi 吳起, Wei Liao 尉繚, Shang Yang 商鞅; Pang Juan 龐煖, Wang Liao 王廖, Er Liang 兒良, Wei Wuji 魏無忌 (Senhor Xinling 信陵君), Zhao She 趙奢 e Bai Qi 白起 , assim como os Zhang Liang 張良, Han Xin 韓信, Xiang Yu 項羽 and Li Guang 李廣 do início da era Han (漢 206- 220 E.C), dos quais sobraram apenas fragmentos,  versões apócrifas ou simplesmente citações.

Até a recente descoberta de uma versão completa, em tiras de bambu,  dos dois Bingfa(s)(ambos da família Sun), e que remontam à dinastia Han posterior, já no início da era cristã, o texto-estema disponível até então, pelo menos da dinastia Song em diante, era composto de uma montagem de diversas partes provindas de fontes variadas e que seguiam a versão proposta pelo primeiro grande exegeta da obra, o comentarista, militar e depois imperador Cao  Cao ( III A.D.).

Existem 11 comentários canônicos sobre o texto,  conhecidos com os Shiyi jia zhu Sunzi (十一家注孫子), o primeiro em ordem cronológica e importância sendo o do mestre Cao Cao (曹操), também conhecido como Wei Wudi . Os outros são Meng Shi (502-557),  Li Quan  e Du Mei (da dinastia Tang ( 618-907), Chen Hao  e  Jia Lin , os famosos  Mei Yaochen, Wang Xi, He Yanxi, and Zhang Yu e da dinastia Song (960-1279) e finalmente Du You  em sua conhecida enciclopédia  Tongdian (通典).

Portanto, além do Sun Zi existem os chamados 7 Textos Militares Clássicos e mais umas duas dezenas de outros textos de referência, considerados de segunda importância, cujos autores e títulos foge ao escopo deste ensaio enumerar. Diga-se apenas de passagem que, além dos canônicos comentários cujos autores foram citados acima, o número de estudos sobre o Sun Zi é absolutamente assustador. Em livro recentemente publicado na década de 1980 são listadas cerca de 3.800 obras chinesas que tratam do Sun Zi Bingfa até a data da proclamacão da República Chinesa, em 1911. Certamente que de lá para cá tal número deve ter duplicado!

A primeira versão em lingua ocidental, a rigor mais um resumo para comentário do que propriamente uma tradução integral, foi realizada pelo padre Jean-Jacques Amiot em 1772 (L’Art de La Guerre). Esta versão foi recentemente reeditada e profusamente comentada por alguns destacados estrategistas franceses. (Paris: Pocket, 1993). A primeira versão inglesa veio à luz em 1905, levada à cabo por um oficial inglês, o coronel Everard Ferguson Calthrop. Esta versão foi seriamente criticada por Lionel Giles, cuja própria tradução de 1910 é até hoje considerada padrão, sobretudo pela riqueza de suas notas explicativas e elegância de estilo. Giles era sinólogo, tal como o pai, Herbert Giles, lexigógrafo de primeira grandeza, autor do famoso sistema de transliteração fonética do chinês, hoje superado. Várias traduções se sucederam, dentre as quais, de importância, as de Sawyer, Griffith e Ames. Atualmente existe uma pletora de “traduções” no mercado.

A longa e conturbada história da China

A história da China tem sido pontilhada por  uma sucessão multimilenar de ascencões e quedas dinásticas, rebeliões e movimentos revolucionários, mormente dotados de extraordinária ferocidade e catastróficas consequências. Portanto, essa longínqua história de radicalismo bélico constitui eloquente exemplo contrário à visão romântica que se possa ter de uma China inteiramente sábia e pacifista. Talvez, poder-se-ía alegar, teria sido tudo devastadoramente pior se os princípios de sabedoria  próprios da civilizacão chinesa e latentes em seus tratados militares não existissem. De fato, o Sun Zi Bingfa reitera continuamente o quão preferível é evitar a guerra, ganhá-la sem ter que travá-la e, se ravando-a, preservar ao máximo os costumes, vidas, propriedades e colheitas. Mas tais princípios foram sempre mais frequente do que raramente violados. Ao longo de sua prolatada história, nos processos de exacerbada radicalização política e bélica, mormente após extensivos períodos de caos provocados por conflitos internos ou invasões externas, o novo momento que torna-se hegemônico apresenta uma reductio sobre os amplos vetores da visão de mundo dessa notável civilização, ocorrendo um estreitamento, uma severa cloisure no diafragma político-epistêmico que passa a predominar. Esse frequente fenômeno, de Shi Huangdi a Mao Zedong, constitui compreensível contradição, tendo em vista ser natureza do homem tal como ainda é. “Os seres humanos do planeta Terra”, dizia Belzebu ao seu neto durante a viagem cósmica que faziam à bordo da nave interplanetária Karnak, “não conseguem superar o maléfico hábito de se autodestruirem continuamente”.

Diga-se aqui de passagem que o termo contradição em chinês moderno, palavra dissilábica, encerra uma anedota etimológica bastante peculiar. Um certo vendedor de lanças e escudos percorria as cidades propagando que suas lanças (mao矛) eram de tal qualidade que poderiam perfurar qualquer escudo. E a seguir propagava que seus escudos (dun 盾 eram invulneráveis a qualquer lança. O povo perplexo perguntava como tal podia ser e ele, por alguma boa razão, não se dava ao trabalho de explicar. Maodun passou a significar contradicão e o próprio Mao Zedong, em texto fundamental de 1937, Sobre a Contradição, faz uso da expressão como título da obra (maodunlun 矛盾論 ).

Mas o manancial de sabedoria contido não apenas no Sun Zi Bingfa, mas em todo o espectro canônico da Ciência/Método/Arte militar chinesa – dentre eles os 7 Clássicos editados na Dinastia Tang e consagrado na Song – servem para uma série de outras áreas nas quais um Estado haverá quase sempre de se encontrar envolvido; geopolítica, propaganda, luta política interna, etc. Possamos nós também extrair moderamente desse texto fundamental outras importantes lições no campo da psicologia das relações humanas. O texto reflete inequivocamente, não menos, considerável parcela do espectro da visão de mundo não apenas daquela época, dos períodos pretéritos da China, mas igualmente da atual.

Como vimos, a época tumultuosa em que se supõe ter vivido Sun Zi é imediatamente posterior à do próprio Confúcio, talvez cerca de meio século da morte desse, que ocorre em 479. Trata-se de um período da história chinesa que se encontra no bojo da irradiação das chamadas Cem Escolas ( zhu zibai jia诸子百家). Em termos de paz social, uma época de imensas conturbacões, em termos de florescimento do pensamento, uma verdadeira Idade de Ouro. Em pleno florescimento, encontram-se incontáveis escolas de pensamento, inclusive aquelas diretamente voltadas para o ordenamento da pólis, do Estado, tais como, em particular, a de Han Fei Zi e seu Legismo, cuja ideologia autoritária é designada por alguns sinólogos ocidentais como o proto-fascismo chinês.

Por essa época também encontra-se em status nasciendi uma ars diplomatica ( zonghengjia,縱橫家/纵横家), cujos nomes mais representativos são os Zhang Yi e Su Qin, defensores de uma espécie de Realpolitik na relações externas do Estado. O Confucianismo, particularmente através das vertentes de Meng Zi (Mêncio) e Xun Zi estarão em breve em plena expansão, mas se tornarão em breve o principal alvo, quando da emergência do legalismo como ideologia do futuro Império  em sua primeira etapa revolucionária. Esse macarthismo “legista” será implementado sobretudo pelo primeiro-ministro do novo Imperador Shi Huang Di – Li Zi – e ensejará eventos icônicos da época, tais como a perseguição aos literatos (ru jia), queima de livros e uma profunda reforma ideológico-depurativa do número de caracteres da lingua chinesa.

A maturidade do texto do Arte da Guerra de Sun Zi, e a de seu descendente e sucessor, Sun Bin, refletem sem dúvida a riqueza desse manancial filosófico da época, mas não menos a cruel e conturbada situação sócio-política. Sun Zi enfatiza, ao longo de todo o texto, que a guerra deve ser evitada tanto quanto possível, pois que ela acarreta despesas, destruição e confusão. Não existe no Arte da Guerra a implacabilidade propugnada no Maquiavel de Il Principe  ou no Dell`Arte della Guerra. Não obstante, não há de se negar que o realismo que percorre a rationale do texto pode perfeitamente conduzir a “maquiavelismos” do mais alto teor. Não existem de fato ali cinismos próprios de um ethos subjacente, mas antes um arcabouço humanista que emite julgamentos de bom senso e lucidez, sempre amparado por uma visão de mundo que aspira à harmonia nos níveis micro e macro.

Mais do que qualquer influência confuciana ou daoista, é na visão de mundo cosmogônica e filosofal da mente chinesa, provinda longinquamente das épocas do “céu anterior” (xian tian), épocas que segundo os filósofos chineses encontravam-se em maior conformidade com o Dao superior.O Dao, conceito absolutamente axial, é usado por Sun Zi num espectro de acepções, sendo que sua dimensão mais cósmica, assim como a ética – e a forca que dela deriva, De – permanecem como pano de fundo.

Abordarei e tentarei aprofundar neste estudo alguns dos conceitos centrais do texto, tanto em suas maiores ou menores variações semânticas ao longo do tratado, quando em suas mutações de sentido, por forca das  “variantes” (bian) e circunstâncias (qin ) de ambos os Zeitgeiste, ou seja, o da época do Sun Zi Bingfa e o nosso atual. Tentarei igualmente realcar a importância da consciência dialética que atravessa toda a rationale argumentativa, assim como a estratégia da retórica textual. Essa dialética tem por pressuposto o contínuo fluxo das mutabilidades, com os opostos em contínua interacão. Esse é o pressuposto que percorre qual fio de Ariadne um outro livro, ainda mais fundamental para o pensamento chinês –  o Livro das Mutacões ( Yi Jing 易經 ), texto fortemente arcaico em estilo, sobretudo antes da exegese produzida pelo próprio Confúcio.

O Sun Zi Bingfa apresenta-nos uma visão estruturalista quanto à análise dos elementos componentes das “condições” do si mesmo (o Estado, no caso) e do adversário, assim como uma percepção arguta e atenta do timing em curso nas ações. Investigar, analisar comparativamemte e planejar, mantendo em aberto a via da compreensão/acão heterodoxa,  complementar à via formal, hortodoxa. Alternância dialética: vazio/pleno  – tão utilizada igualmente na pintura e nas marciais; compaixão/magnanimidade (o *ren*- daoista e confuciano) versus severidade punitiva; avançar/recuar, mobilidade/imobilidade. E toda uma gama de estratagemas de ardis/ludibrios(guei), ofuscamento da luz (dao guan)  e mesmo invisibilidade (wu xing), maquiavelismo brutal e amoral no uso de expedientes, como no caso do último capítulo, dedicado ao uso de espiões (yong jian), e que trata igualmente de técnicas de contra-informação.

Linhagem epistêmica

O Sun Zi Bingfa deve ser visto dentro de uma linhagem espiritual-filosófica, completada e aprofundada ainda à epoca de seu momento inaugural  por seu bisneto, Sun Bin, o que significa dizer que há uma corrente  de transmissão de conhecimentos,  uma silsilah, como diriam os súfis, ou parampará de acordo com os hindus, que foi se concretizando dentro do universo epistemológico chinês ( conhecida também como “escola da família Sun” (Sun jia). Sun Zi é um chef d’école, o ponto de sintese de uma uma visão que se se consolida, que torna-se inaugural em termos de esculpimento e moldagem, e  em torno da qual um campo de saber, com raízes na mais profunda tradicão de ascendência daoística viria a se consolidar. 

O texto da Arte da Guerra tem causado admiração e espanto no Ocidente pelo realismo de seu teor, incontestável rationale e sutil psicologia, desde que foi pela primeira traduzido  em 1772, sendo lentamente redescoberto a partir de inícios do século XX, primeiramente com a criticada traducão do coronel Calthrop, de 1904, e logo a seguir, em 1910, pela excelente do sinólogo britânico Lionel Giles, repleta de comentários, e que se tornou referência obrigatória até hoje. Vislumbrada por militares americanos, ingleses e australianos na década de 30, seu prestígio começou a crescer vertiginosamente no Ocidente, sobretudo quando tomou-se consciência de que o tratado, acompanhado de outros tratados menores,  mas igualmente importantes do cânone, era  leitura obrigatória dos comandantes chineses, coreanos e japoneses ao longo dos séculos. Mao Zedong e Giap o usavam como livro de cabeceira e assim passaram a fazer inúmeros generais americanos a partir de 1950.

Sun Bin (孫臏),  bisneto de Sun Zi, também conhecido como Qin Sun Zi, (齊孫子), como  referência ao Estado do qual era originário, terá vivido por volta de meados do século IV . O sobrenome Bin,  advém de um referência ao castigo que ele teria sofrido por forca de intrigas de um desafeto  junto ao rei de Wei. Tal punição,  neste caso a extração das rótulas de seus joelhos, era uma das variantes das 5 Punições (wu xing, 五刑) clássicas da China antiga.

Da Arte da Guerra de Sun bin era conhecida uma versão de 33 capítulos curtos, que a filologia e exegese chinesas atuais reduziram a 16, por considerarem os restantes apócrifos. Esse texto, posterior de uns 50 anos, mas que constitui uma continuação indissolúvel desse ofício de família Sun, é complementar, mais incisivo em certos aspectos filosofais e até mesmo absolutamente esotérico em outros. Certa metafísica imanente aqui e ali, paradoxal talvez diante da estrita rationale do texto,  fiel à sua genealogia, não é de modo algum prodigalizada, e não diz respeito ao  misticismo oracular, mas sim aos elementos de uma visão cosmológica presente no Yi Jing, assim como aos conhecimentos que na China antiga não adquiriram a amplitude e o estatuto que possuíam na Babilônia e em épocas posteriores do mundo antigo do Oriente próximo: o da astrologia. 

Num capítulo denominado Yue Zhang (月戰), Guerra Lunar, Sun Bin, depois de enfaticamente afirmar ser o ser humano o que de mais importante existe entre o céu e a terra,  admoesta quanto à necessidade de se conjugar os conhecimentos provindos das estações do céu (que deve ser por extensão entendido para além da literalidade, ou seja da estações do ano). E ele continua: “Se em vez de dez batalhas se obtém a vitória seis vezes, é devido às estrelas. Se em dez batalhas se obtém a vitória sete vezes, é devido ao sol. Se em dez batalhas se obtém a vitória oito vezes, é devido à lua. Se em dez batalhas se obtém nove vitórias a lua se tornou plenamente cheia. Mas se em 10 batalhas ocorrerem 10 vitórias, ocorreu passagem do ponto de inflexão, haverá infortúnio”. E aqui a visão axial é tipicamente chinesa, ou seja, a partir de certo momento de um movimento ocorre uma inversão, uma inflexão, é o ponto de mutação. Mas também, ocorre a menção a um certo tipo de conhecimento que ainda não pode – e não deve no contexto – ser aprofundado,  saber o das influencias cósmicas sobre o comportamento das coisas da terra e dos homens que sobre ela habitam. Mas como para a epistemologia chinesa em geral aquilo que é compreendido o é antes na esfera dos processos de percepção interna, no âmbito dos sentidos (yi- na dupla acepção aqui, a do sensorial e da abstração) para depois ser conformado às palavras (forma: xin, xiang) e adquirir, por meio dos caracteres da escrita, sua codificação como logos.

A Arte da Guerra como Metáfora da Guerra Interna.

A guerra externa, a guerra de destruição mútua dos homens, é a mais drástica metáfora de outras guerras travadas em tantos outros planos da condição humana, dentre essas as lutas que travamos no plano das relações sociais e aquelas que ocorrem em nosso mundo interior, no aparentemente interminável fluxo de fricções que consciente ou inconscientemente ocorrem nas esferas do nossos planos mental, emocional-afetivo, sexual, instintivo, etc. Além dessas, os atritos e compatibilidades/incompatibilidades gerados pela contínua interação dos elementos do planeta Terra – o homem deles fazendo parte – refletindo a correlação de vibrações cósmicas que até aqui nos chegam, e das quais, certamente, somos  originários.

Na tradição metafísico-psicológica do sufismo considera-se que verdadeira  “guerra santa “ é aquela que se trava no interior (batin) enquanto que a externa (bahir)é de secundária ou nenhuma importância.

Portanto, as lições, receitas e exemplos advindos do campo de batalha e dos bastidores propriamente ditos, a guerra entre estados com as peripécias do ofício bélico, servem diretamente de material alusivo para outras aplicações, nas mais diversas áreas e o mundo dos negócios e do marketing foi o primeiro a tirar proveito desse potencial latente no Sun Zi Bingfa, já a partir das décadas de 70 e 80. Por extensão é lícito realocar conceitos, enfoques, tácticas e estratagemas ali contidos em áreas como as das relações domésticas, profissionais, sexuais, afetivas, etc, etc.

O Método Militar, para que nos mantenhamos sempre atentos para o verdadeiro sentido do título da obra de Sun Zi, assim como da de seu neto, Sun Bin, constitui, somos alertados desde início, objeto de suma importância como assunto de Estado, vital para a sua sobrevivência ou colapso de uma nação ou de um povo. Para Sun Zi o conjunto de preceitos, fórmulas, exemplos e parábolas que constituem o material de seu tratado abrangem tópicos que constituem direta ou diretamente desde uma Teoria de Estado até os meandros psicológicos de um arco cognitivo que se projeta entre entre visões estratégicas e uma miríade de táticas e estratagemas. Digo miríade porquanto sob a orientação de alguns conceitos fundamentais, princípios guarda-chuva, a saber, entre outros, da adaptabilidade cognitiva e estratégica aos fluxos de mudanças das condições externas e internas, o assumir de posturas heterodoxas que ao se alternarem com as ortodoxas, formais, deverá abrir espaço para inventividade que novas soluções que cada nova situação possa exigir.

Filosofia e Weltanschauung

O termo soa pomposo, algo anacrônico, mas retém uma forca que o correspondente em português – “visão de  mundo” -, ainda não possui lastro para tentar superar. Usarei os dois alternadamente.

Existe, sem qualquer sombra de dúvida, uma visão de mundo subjacente ao Sun Zi Bingfa, e essa visão é fiel à linha  epistêmica que percorre o pensamento chinês desde a sua mais alta antiguidade. Ela é estrutural, incorpora uma relação dialética lato senso, é moderadamente metafísica, sem dogmatismos imanentes, e é fortemente apoiada pela experiência histórica, a natureza e o social oferecendo abundantes exemplos dos quais que o bom senso extrai as suas licões complementares, por meio de investigar, analisar, comparar e concluir. Esse arcabouço de princípios holísticos subjacentes, sejam de natureza cosmológica ou social, encontra-se presente já no Yi Jing e na tradicão daoista, mas não menos no próprio Confúcio e seus seguidores. De uma maneira geral eles percorrem sob roupagens idênticas ou diferentes quase todas as chamadas Cem Escolas Filosóficas e não menos o próprio Legalismo.

A pedra angular desse Weltanschauung é como vimos o conceito de Dao, que em última instância diz respeito à própria ordem  cósmica do universo, algo semelhante ao Rta do hinduísmo védico, sendo pois  o “caminho” de conformação às leis próprias das coisas, ao fluxo natural das leis cósmicas e da natureza. E, não obstante ser Sun Zi um pragmático tratando de um objeto específico – a questão da guerra, e sua aplicação desse conceito ocorrer em acepcões menores, não se ocupando em qualquer momento com qualquer explicação filosófica ou cosmogônica – seu Vade Mecum Militar deixa-se atravessar imanentemente pela luz de fundo daquele princípio maior. Debussy dissera certa vez que, no Parsifal de Wagner, a luz projeta-se sonoramentevindo por trás, em geral pelos instrumentos de sopro. No Arte da Guerra, essa luz é o conceito do Dao. A questão de saber se há ou não princípios cosmológicos e filosóficos no Sun Zi Bingfa constitui para os chineses, coreanos, japoneses e vietnamitas que de longa data se ocupam com ele uma não-questão, algo que é inteiramente óbvio por si mesmo.

A partir de um enfoque epistemológico, o Sun Zi é também uma obra que surpreende pelo primor de seu instrumental cognitivo, na insofismável essencialidade de seu logos operacional. Se por um lado esse logos constrói uma inegável rationale cognitiva – e psicológico-cognitiva – que atravessa a obra, por outro estamos não menos subrepticiamente, como um subtexto, no mais puro território de uma epistemologia encapsulada, bem típica da mente oriental, mas no caso bem especificamente a da epistemologia chinesa, cingida pelo gênio da língua. Mas aqui, essa forma axiomática de expor revela para o observador externo atento, o leitor paciente e bem avisado, um vasto percurso cognitivo por trás dos bastidores, dele e do legado da sabedoria chinesa da qual ele é mais um dos frutos.

Ter clareza no entendimento dos assuntos bélicos, nos assuntos de guerra (de vital importância para o Estado, questão de vida ou morte), é compreender os elementos constitutivos de si mesmo – o lado de cá – e os do inimigo, o lado de lá. E ele então apresenta o tripé dessa démarche cognitiva que desemboca no Planejamento, três procedimentos cognitivos que se  conjugam: 1) investigar (cha) aquilo que vai se apresentando como dados da realidade  (ou seja  todo o espectro de fatores) e 2) analisar (soe)  2) comparando (jiao), por meio do que procede-se ao planejamento  (ji  então constituirá o aspecto formal, ortodoxo da estratégia. O aspecto/elemento heterodoxo, cuja a forma é imprevisível, ocorrerá a posteriori, no transcurso fenomênico das realidade que irão surgir. E esta visão cognitiva encapsulada, essencialista é insofismavelmente epistemológica e é extraordinariamente superior àquelas presentes nos textos de Maquiavel e de von Clausewitz, posteriores que são de cerca de dois mil a dois e trezentos anos ao Bingfa do Sun Zi. E esse é um dado de suprema importância e que não pode ser de modo algum desconhecido, negligenciado ou banalizado. Aqui se encontra a superioridade da rationale desse texto, a par de sua psicologia subjacente, não menos extraordinária.

Mas Sun Zi precisa lidar, a partir do eixo cognitivo,  com uma série de aplicações decorrentes de conceitos basilares, dentre os quais o do Dao, e no contexto em que ele o emprega sua compreensão é inequívoca, cabendo ao tradutor adaptar essa pregnância semântica e sua aplicação  textual concreta aos termos que a lingua receptora e seu universo cultural exigem. Assim sendo, já no primeiro capítulo e nos primeiros parágrafos temos o Dao sendo usado num sentido ético, no sentido de rationale e de modus operandi e na sua acepção genérica.

O que impõe-se aqui como intergiversável fatoé a assertiva de que quando surgem tanto o Método Militar/Arte da Guerra de Sun Zi, assim como  Sun Bin, cerca de meio século depois, os elementos essenciais de uma visão de mundo chinesa, em que pese a extraordinária diversidade de variações (bian), muitas vezes quase que frontalmente em contradição, já estavam desde longuíssimadata  definitivamente consolidados. Embora não inteiramente explícitos, a presença imanente ou explícita desses conceitos emanam como alma que move a obra: Dao, Yin/Yang, Ren, De, Yi, Qi, etc, todos conceitos centrais na visão chinesa de mundo

Qi, energia vital, pneuma, animus

Um dos conceitos absolutamente axiais do pensamento filosófico chinês, cujo uso é universal em todas ou praticamente todas as escolas, é o qi (氣)energia cósmico-psico-somático que percorre os seres vivos, que existe já potencialmente a certo nível desde o nascimento e que pode ser desenvolvida, expandida ou regredida. O étimo do caracter fala um pouco pela visão ancestral que lhe é subjacente, pois que a parte superior evoca os vapores que emanam do arroz (mi,米) quando está sendo cozido. O qi, esse animus que percorre o ser humano está também sujeito  alternâncias de menor ou maior  expansão (yin/yang) e ocupa uma posição importante tanto em Sun Zi quanto em Sun Bin, sendo que no caso deste último é dedicado um capítulo inteiro, ainda que curto: “Expandindo o Qi”.

Na tradição chinesa dos textos de  Métodos Militares  o qi é visto em termos  concretos, como energia vital, mas também abstratamente como entusiasmo (Begeisterung) e moral das tropas. Pragmática e receituária como a mente chinesa costuma ser, fórmulas e prescrições de como expandí-lo, ou preservá-lo de desgastes, são oferecidos em diferentes instâncias. Trata-se de tornar o qi mais forte e aguçado. Uma psicologia sociológica, e não menos uma semiótica, são  igualmente abordadas, através das quais exploram-se os fatores da relação familiar-afetiva dos soldados (através de  intimidações e chantagens retaliatórias) e até mesmo os tipos de vestimentas militares que haveriam de exercer um maior impacto sobre o qi de cada um, tais como os “casacos curtos e as roupas ásperas”. Os tambores fazem sem dúvida parte desse pacote.

Geopolítica:

A China Antiga e a Multipolaridade Atual

Inúmeros generais e estrategistas civis chineses e ocidentais consideram que existe um notável número de similaridades entre o mundo multipolar que emergiu nos últimos 20 anos (como colapso da União Soviética, mas o ressurgimento da Nova Rússia a partir da primeira década de 2000 e a colossal emergência da China atual) e os cerca de 250 anos do  período conhecido como Estados/Reinos Combatentes da China anterior à unificacão. Tratava-se então, fundamentalmente não apenas das guerras por sobrevivência, mas também por obter hegemonia, prevalecer economica, politica, tecnologica e geopoliticamente, o que acabou por ocorrer sob a égide de um minúsculo reino feudal, o do Estado  de Qin.

Nos tempos atuais, já desde a década de 90, os estudiosos chineses debruçam-se sobre as semelhanças e a maioria dos teóricos militares  chineses enaltecem com adjetivos exuberantes as extraordinárias correspondências que o legado da história chinesa lhes proporciona para entender o presente momento. Conceitos fundamentais são extraídos do Sun Zi e dos demais tratados para compreender a era atual, tais como além do Shi (Momentum) ), Ba (hegemon), mas igualmente os Cinco tópicos do primeiro capítulo e os 7 estratagemas e as 6 Condições (liu qin  Wu Zi, as quaisservem perfeitamente para a compreensão precisa da questão de Seguranca Global no momento atual.

A maioria dos estudiosos dedica especial atenção ao imperativo de Sun Zi quanto ao Planejamento/Cálculo de condições (o caracter chinês ji,計, absolutamente nuclear na obra, presta-se a essas duas variações semânticas) e vê no realismo de Sun Zi um extraordinário momento inaugural de rationale política e bélica.

Quando Deng Xiaopin dizia em linguagem típica das expressões idiomáticas chinesas de quatro caracteres (cheng yü, 成語): daoguan yang hui (韬光养晦)- “oculte o brilho e cultive a  obscuridade”, a palavra de ordem era clara dentro do mais profundo da compreensão e alma chinesas: crescer em todas as direcões sem atrair a atenção, sem hybris, ocultando tanto quanto possível a luminosidade crescente e os méritos para evitar a retaliação do hegemon, atuar tão discretamente e invisivelmente quanto possível e sobretudo bu chu tou (不出頭), “não colocar para fora a cabeça (imagem que talvez aluda à tartaruga, um dos simbolos de sabedoria e longevidade da China). E, em termos de soft power, é exatamente isso que a China vem fazendo nos quatro continentes; é exatamente isto que ela vem fazendo em termos de ampliação de sua percepção e compreensão da mente e do sistema econômico, social e civilizacional do Ocidente, particularmente de seu eminente oponente, os Estados Unidos. Passada a fase clássica da Sinologia os chineses estão desenvolvendo – discretamente, “ocultando o brilho”- uma espécie de Ocidentologia para uso interno. E que momento ela está adquirindo nesse processo, a julgar até mesmo pelo valor de face do números de estudantes que ela envia anualmente para o exterior e que voltam especialistas – o velho sistema de altíssima gradação da China mandarinal ainda prevalece – cuja vasta maioria retorna trazendo aporte e sendo imediatamente contratado para os órgãos governamentais.

Mas tal visão estratégica, que tem prevalecido até hoje, não é absolutamente soberana e críticos tais como He Xin pensam que a China deveria tomar logo a dianteira e, à exemplo, do que ocorreu nos Estados Combatentes, aliar-se a outros  estados para combater frontalmente o hegemon na cena internacional, a saber, os Estados Unidos. He Xin, um geopolitólogo voltado para as questões da multipolaridade, é absolutamente convicto, face ao inevitável declínio americano, que a década crucial será a de 2020 a 2030, quando o mundo se deparará com uma passagem inexorável de paradigma em termos de hegemonia.

Mas para Sun Zi os assuntos de guerra constituem matéria não menos para a via do ludibrio! Assim sendo, o  pensamento estratégico chinês conta sempre com a  possibilidade de inúmeros falsos direcionamentos e inimagináveis false flags operations que podem (a importância das estratégias heteredoxas, qi) a serem exercidos pelo hegemon em declínio. Uma desestabilização do Tibete e da região autônoma de Xinjiang, composta de maioria muçulmana, é tida como das mais prováveis. Os chineses parecem estar particularmente conscientes do fato de que o colapso da União Soviética deu-se por uma elaborada e conjugada ação de técnicas de falso direcionamento, tais como os de incitar Moscou a embarcar numa aventura de guerra nas estrelas, reduzirem o preço do petróleo no mercado mundial de modo a aleijar a principal fonte de renda, assim como a manipulação do câmbio, tanto quanto a fomentação de instabilidade na sociedade civil. Uma vez mais fala alto aqui o princípio chinês de mobilidade de posicionamento, coletando informações, observando multiplamente a realidade e se adaptando as novas realidades que vão surgindo.

Portanto, o cânone chinês da Ciência ou Método Militar, à exemplo de inúmeras outras áreas do conhecimento humano, possui no Império do Centro uma longa história, não menos longa e farta exegese, e oxigena e guia o pensamento  estratégico e tático da China atual. Os erros de ausência de visão estratégia de longo prazo tão absurda e criminosamente cometidos, por exemplo, no Oriente-Médio, para recolher apenas um dentre tantos outros, jamais seria cometido por líderes como Mao ou Deng, pois que para eles era imperativo “ceder nas pequenas questões sem perder de vista a hegemonia que é a meta para as grandes estratégias.

Wei qi e Hegemon

Mas não é no xadrês que a conquista do status de hegemon, para o pensamento chinês,encontraa sua melhor metáfora, seu melhor exemplo, mas sim,inequivocamente, no conhecido Go, jogo inventado na China, onde é  conhecido por wei qi (围棋). É a partir da visão geométrica do tabuleiro do weiqi que o chinês concebe seus war games. A diferença entre os dois jogos, xadrês e wei qi, em termos de visão estratégica é gritante. Enquanto o primeiro pensa quase que linearmente a partir de seus tipos de ataque ou defesa, tendo por objetivo último destruir o inimigo com a eliminação do Rei, no wei qi trata-se de ir paulatinamente criando momentum, estrangulando por cerceamento, eliminando o potencial inimigo a partir de seus erros e perdas, mas sempre deixando um espaço de sobrevivência à vista. O wei qi talvez constitua a mais eloquente visualizão geométrica que o pensamento militar adquiriu para as questões de grande estratégia e é amplamente utilizado como metáfora, paradigma e modus operandi em todo o Extremo-Oriente. É a plena expressão do soft power in progressive action.

Tal constatacão enseja-nos uma vez mais algumas das  máximas do Sun Zi Bingfa: “nunca acuar um inimigo em situacão de total desespero, pois que ele pode liberar forcas de luta pela vida muito destrutivas” (é o chamado si di– “terreno da morte”) assim como aquele que diz que uma vitória superior é aquele em que se conquista o país ou o exército inimigo intactos (quan jun quan guo).

Peculiaridades do Chinês Clássico

O chinês do Sun Zi Bingfa é tipicamente o da língua  clássica, cujas construções sintáticas, paralelismos, rítmos e vocabulário são representativos da época, à exceção talvez de ser o estilo severamente seco, despojado embora de modo algum destituído de riqueza imagística e metafórica. A estratégia textual e sua rationale são de uma lucidez surpreendente para a mente ocidental, acostumada a ver no pensamento chinês uma eterialidade poética desprovida de lógica. Engana-se fatalmente o tradutor de chinês clássico que acredita haver nesse ou naquela passagem árdua o uso aleatório de caracteres ou construções sintáticas obscuras (de novo o pressuposto falacioso de que não haveria uma rationale, mas especulaçõe poética), talvez apenas uma excentricidade do autor, confuso tratamento temático… Na absoluta maioria dos casos, um texto chinês reflete uma larga experiência anterior, uma espécie de sacramentada “empiria que se tornou teórica” sancionada por fortíssima tradição oral. O próprio chinês clássico dos textos canônicos e para-canônicos foi durante muito tempo – ao contrário do sânscrito que foi se tornando cada vez mais uma meta-linguagem – a língua falada. Portanto: respaldo vernacular, simplicidade e plena rationale sintática, a despeito dos inevitáveis processos de sofisticacão e mutações semânticas e estilísticas que moderadamente acabariam por ocorrer ao longo do sobe e desce dos períodos dinásticos. Uma “palavra” em chinês é sobretrudo um campo de múltiplos significandos correlatos, uma injunção semantico-semiótica  de adjacências que tão somente a rationale do contexto tornará o sentido inequívoco, mas que também não raramente, por extensão, ultrapassa os limites desse campo original e, enveredando por acidentes de corruptela ou por apropriação de mutação tonal, passa a significar algo inteiramente diferente. Típico da mente chinesa é exatamemte a concretude de suas metáforas, em geral extraídas do vasto reservatório das tradições populares e da observação de seus sábios, as camadas mais antigas do corpus Yi Jing constituindo um exemplo eloquente disso.

O chinês clássico prima por formular compactamente idéias que para a mente chinesa são de per se imanentemente claras, o que o diferencia das elaboradas e por vezes superficiais montagens do chinês moderno. Uma frase de meia linha em chinês clássico pode exigir até duas linhas de texto em chinês moderno para que se torne plenamente intelegível.

Assim sendo, a dificuldade consiste em alcançar o estágio de sintonia epistêmica e de sua concomitante visão de mundo. E então adaptar ao que de mais próximo possa existir em nossas línguas. Quando tal sintonia lexicográfica é  impossível, a glose se torna um indispensável expediente. A palavra seja em seu revestimento gráfico (zi), seja em seu potencial semântico (ju) constitui para a mente chinês apenas o revestimento exterior, uma ferramenta para expressar sentidos e idéias (yi). E a consciência dessa dicotomia prevalece palpitante nas entranhas das démarche cognitivas. Em um locus clássicus, Zhuang Zi explica… yan zhe so yi zai yi, de yi er wang yan… “as palavras são usadas para facilitar sentidos, uma vez obtidos sentidos, as palavras são (entenda-se: deveriam ser) esquecidas…”

O texto chinês do Arte da Guerra instrumentaliza palavras,  metáforas, procedimentos sintáticos típicos do chinês clássico para transmitir sentidos, sentidos de um conjunto de conhecimentos de uma área específica, mas que serve de exemplo para todo um espectro de situações existenciais com as quais o ser humano se depara, dentro de si e em sua relação com o mundo social.

A Importância Crucial do Capítulo inicial.

O primeiro capítulo do Sun Zi Bingfa é, a vários títulos, de capital importância para o restante da obra. Nele é exposta não apenas a visão,  tanto filosófica quanto estritamente militar, da questão central da segurança de Estado, mas igualmente toda um conjunto de outros conceitos fundamentais que percorrerão toda a obra como guias para todas as análises restantes. Essa sequência explanatória segue o seguinte roteiro :

A definição do objeto da obra – um Método Militar – e do quão importante, vital, para o Estado é a investigacão abrangente, a análise comparativa dos fatores/elementos da Guerra. “A Guerra é o grande assunto do Estado, questão de vida ou morte, o Dao para a sobrevivência. Não pode deixar de ser investigada (bu ke bu cha yeh, 不 可 不 察 也 )

Cinco fatores básicos constituem esse campo de levantamento, a qual deve ser feita, como já vimos,  por meio de investigacão (cha,察) comparativa (jiao, 校) que proporciona o planejamento (ji,計), provindo da análise/avaliação (suo, 索) dos elementos constitutivos das *circunstâncias* (qin, 情), ou seja, da realidade que compõe cada um dos campos em litígio bélico real ou prospectivo, o próprio e o do adversário de modo a chegar-se ao planejamento.

Tal procedimento, abriga em sua abrangência cinco instâncias principais: 1) o Dao (道), 2) o Céu (tian,天), 3) a Terra (di, 地), 4) o Comando (jiang,将) e 5) a Logística (fa, 法).

A primeira instância diz respeito à coordenação moral e a legitimidade que da qual advém quando em conformidade com leis do Dao . Em havendo, essa correspondência proporciona uma harmonia (tong 同) entre o povo e a instância superior, e com base nessa aliança o povo seguirá, estará com o soberano na vida e na morte, e não temerá o perigo ( er bu wei yeh, 而畏 危 ).

A segunda instância, o céu diz respeito às  coordenadas cosmológicas ( mas aqui Sun Zi é pragmático, e limita-se a assinalar os pares Yin-Yang (阴阳), Frio-Calor e a importância das estações do ano e/ou controle de seu sistema (isto porque o carácter zhi(制), cuja forma atual é uma corruptela  da arcaica, significa moldar, formatar, mas também atuar sobre  presta-se a essa interpretação).

A terra, terceira instância, diz respeito à realidade do solo, as características topográficas, havendo portanto terrenos fáceis e terrenos difíceis, os perigosos, os mortais, etc. Sun Zi se dedicará exaustivamente à análise de todos os tipos de terrenos no capítulo 10.

O comando, quarta instância, diz respeito a se dispor de algumas qualificações essenciais: sabedoria (zhi, 智) , lealdade (xin 信), magnanidade (que é a tradução que cabe aqui ao ren, 仁) , coragem (yong, 勇) e rigor/disciplina (yan, 嚴). Sun Zi também em outro capítulo  elaborará um pouco mais sobre virtudes e fraquezas de um comandante.

Por fim o método, organização, logística, que Sun Zi define bem ao estilo de sua sintaxe … guang dao (官道)  ou seja, a via administrativa, da logística que tornará possível o funcionamento das linhas de suprimentos, comunicação, infra-estrutura operacional, gerencialmente de pessoal, etc., etc.

De modo a explicitar ainda mais as características dessas cinco instâncias maiores, Sun Zi procede, num extraordinário  estilo argumentativo, de maneira interrogativa : Qual dos soberanos, dos dois lados  possui, é imbuído da sabedoria do Dao? Qual comandante possui capacidade (superior)? Quem obteve/detém (o conhecimento e a outorga: de, 得) das vantagens do Céu, e da Terra? Quem possui a sua logística/administração mais eficaz? E os exércitos mais poderosos? E as tropas e soldados mais bem preparados? E, por fim: Quem sabe (justamente) distribuir as recompensas e as punições?

Ele então arremata esse raciocínio afirmando: “por meio disso eu posso conhecer ( se haverá ) vitória ou débacle” ( wu yi ci zhi sheng fu yi, 吾 以 此 知 胜 负 矣 ). E aconselha o soberando de maneira categórica: “aquele general que ouvir e seguir ouvir os meus princípios de análise/planejamento, vencerá- mantenha-o. Aquele que não o fez, não vencerá, dispense-o.

Avançando em sua exposição, Sun Zi traz então preliminarmente à tona um conceito vital, tão central em sua obra que será o título do capítulo 5 da obra: Shi (勢), cuja tradução pode comodamente oscilar entre Momentum, Preponderância e, Vantagem Estratégica e até mesmo força potencial, quase no sentido aristotélico de dynamis. Ainda de passagem, mas semeando o terreno, ele assinala: “havendo momentum, e por causa da vantagem, deve-se então regular o poder/potência(因利 而 制 权 也)”.

Mas Sun Zi ainda não exauriu todos os tópicos, conceitos e princípios-condutores da obra que ele pretende expor já neste primeiro capítulo, imprescindíveis para a plena compreensão do restante da obra. Ele passa agora diretamente ao elemento vital das táticas: ardil, ludibrio, engodo. O caracter gui (詭) é interessante a esse respeito, pois que seu radical à esquerda é palavras (yan) enquanto que a sua parte esquerda é wei (perigo), a qual é não apenas indicativa da pronúncia, mas  igualmente parte do sentido. Ludibrio, deception, é pois o perigo (wei,危) que vem das palavras (yan,言). E ele define o confronto militar, a guerra, como sendo também o (uso) a ciência/arte do ludibrio. E passa a listar os exemplos desses contínuos ardis, despistamentos, ambiguidades, falsas sinalizações, camuflagens, etc. Essas técnicas de ludibrio serão abordadas ainda mais enfaticamente no capítulo 13, que trata do uso de espiões e constitui matéria prima de um outro texto de fundamental referência a esse respeito, que incorpora sabedoria popular através de curtos provérbio e ditos (cheng yü,成语). Refiro-me aqui aos 36 Estratagemas (san shi liu ji, 三十六計), os quais foram surgindo, paralelamente à lenta e contínua construção do pensamento militar chinês, como uma espécie de vade-mecum de estratagemas, astúcias, postos na linguagem dos axiomas/expressões idiomáticas de quatro caracteres. Na mais recente compilação que se tem notícia esses são em número de 36 ( 6 x 6 ), arquitetura essa que não deixa certamente de ter  um sentido numerológico, esotérico com ascendência  no Yi Jing, subjacente.

Os 36 Estratagemas- San Shi Liu Jiu

Esses 36 estratagemas são genericamente divididos em 6 grupos de seis provérbios: 1) estratagemas em situacões vencedoras; 2) estratagemas de confronto; 3) estratagemas de ataque; 4) estratagemas em situaçoes caóticas; 5) estratagemas para avanços e 6) estratagemas para situações de desespero. Analisarei aqui sucintamente, apenas à guisa de ilustração, um estratagema de cada grupo:

瞞天過海: man tian guo hai. “Ocultar-se do céu ao atravessar o mar.”

Desdobramento: criar uma situação de fachada que evoque  transparência, a qual servirá como salvo-conduto para fazer às claras aquilo que constitui um desígnio secreto.

笑裡藏刀: xiao li cang dao. “Esconder uma faca atrás de um sorriso.”

Desdobramento: tornar-se íntimo e amigo do inimigo aguardando o momento apropriado para o inesperado ataque.

借屍還魂 . Jie shi huan gui. “Tomar emprestado um cadáver para reavivar um espírito.”

Desdobramento: Lançar mão de algo muito especial e  inusitado para reavivar algo considerado como anacrônico ou extinto. Trata-se de criar uma correspondência entre dois planos que eram tidos como obsoletos (a escola coreana interpreta por esta linha). Os geopolíticos chineses reavivam as lições/estratégias e táticas da época dos Reinos Combatentes aplicando ao “espírito da época atual (Zeitgeist )”.

關門捉賊 guan men zhuo zei. “Feche os portões para capturar os ladrões (invasores).”

Desdobramento: A metáfora do estratagema é a de deixar o inimigo penetrar profundamente no território e depois cerrar as vias de retorno, aproveitando então os recursos de  conhecimento do terrain, e de outros fatores como o do tempo climatológico (tian). A Rússia serve de exemplo didático a esse respeito, tanto na campanha da invasão das tropas francesas  quanto das alemãs, assim como a China em vários momentos da sua história.

樹上開花 shu shang kai hua. “(pendure) falsas flores nas árvores. (Pintar um pardal com as cores de um canário).”

Desdobramento:  Mais um estratagema que lida com ludibriar o esquema de percepção do inimigo, o que prova o quão conscientes do problema da semiótica os chineses sempre foram. Caracteriza-se um objeto concreto com atributos que não lhe pertencem, para ludibriosamente moldar a percepção do inimigo.

E, por fim, o menos nobre e mais radical estratagema do escapar para sobreviver:

走為上計 zou wei shang ji. ( Quando nada mais funcionar … corra) “Escapar é o melhor estratagema.”

Desdobramento: este último estratagema é de uma objetividade não apenas brutal, mas absolutamente conflitante com uma série de princípios de honra do código do Wushidao (Bushido em japonês). Literalmente corra (zou,), como imperativo no início de frase já que é esse o sentido universal do verbo em chinês clássico, e não o de andar, que é o sentido que tem em chinês moderno. Mas como a mente chinesa é pragmática e a sobrevivência é a arte de permanecer…  O desdobramento aqui aponta para uma metáfora que, ao nível macro, significa que um país não deve lutar até o fim quando a compreensão da “situação” apontar inapelavelmente para a derrota. Se a Alemanha do final da Segunda Guerra Mundial tivesse integralmente conduzido à risca o imperativo de lutar até fim, talvez o país não viesse a se  soerguer ao ponto que hoje chegou, já que sua população teria sido praticamente dizimada e suas instalações industriais  arrazadas por completo.

A seguir à exposição da importância do fator ludibrio/ardil, Sun Zi volta a enfatizar a importância da rationale do calcular/ planejar, agora como uma espécie de coda ao capítulo. Mas antes de partir para a parte que encerra o capítulo, numa  passagem que por assim dizer coroa a importância das ações de ludibrio descritas, ele emite um lembrete quanto ao imperativo crucial do segredo, de modo a que a eficácia operacional daqueles ardis não fique comprometida se forem divulgados antes ( bu ke xian chuan yeh,可 先传也 ).

O capítulo encerra-se então com uma sociológica alusão à consulta (oracular) nos templos (miao): aquele que  planeja/calcula o máximo possível terá maiores chances, aquele que calcular/planejar menos terá menos chances. E ele ironiza: “o que dizer daquele que não faz qualquer avaliação (er kuan yü wu suan hu, 而 况于 无 算乎)”

Portanto: investigar, comparar, analisar exaustivamente as  “situações” – leia-se: realidades – dos dois lados. Mas adiante na obra, Sun Zi radicalizará quasi-ontologicamente essa assertiva numa série de postulados, tais como “conhecer a si mesmo é superior, conhecer o inimigo é a segunda coisa mais importante”. Os capítulos subsequentes da Arte da Guerra darão plena vida, em múltiplas direções e níveis, à realidade drástica da guerra, questão suprema para o Estado, assunto de vida ou morte.

A rationale ética de ascendência daoista, mas do que propriamente confuciana, estará atravessando o texto, e talvez o seu moto maior seja o de que “é mais  importante evitar uma guerra do que encetá-la, pois que causa inevitavelmente destruição e sofrimento”. Contudo, se inevitavelmente encetada, deve-se procurar vencê-la de maneira a mais expediente possível, pois que a “vitória sobre um país intacto (quan guo) ou sobre um exército intacto (quan jun) é sempre superior às outras opções “ A vitória superior é aquela que se vence sem ter que travá-la”. “A mais alta expressão de capacidade é interceptar os planos do inimigo”, “a segunda mais alta forma é interromper a comunicação de suas tropas”. E enfim: “quando se conhece a si mesmo e o inimigo- uma vitória a cada batalha; quando não se conhece o inimigo mas se conhece a si mesmo – uma vitória, uma derrota; (mas) se não se conhece a si mesmo e o outro, a cada batalha uma derrota.

(fim da primeira parte)

Bibliografia sucinta, edições/traduções chinesas (para o chinês moderno)  e em linguas ocidentais.

吳九龍:  孫子校釋.  (Wu Jiulong Sunzijiaoshi: Beijing: Junshiexuechubanshe) Beijin, 1991. Considerada como uma das melhores edicões críticas, dentre as dezenas disponíveis.

許威漢 : 孫子兵法讀解大全 (Xu Weihan:  Sungzi bingfa dujie daquan ). Shanghai: Zhongzhougujíchubanshe, 1992 . Contém importante glossário.

Roger Ames, Sun-Tzu. The Art of Warfare, New York: Ballantine Books, 1993. Ed. Bilingue com base no texto recentemente descoberto. Baseia-se fortemente em Wu Jiulong.

Sun-Tzu. The Art of War. Translated by Samuel B. Griffith. Oxford, Claredon Press, 1963. Existe uma bela traducão brasileira em edicão de luxo.

Niquet-Cabestan, Valérie – Sun Zi. Traduit du Chinois. Paris, 1988. Excelente versão francesa.

Jean Lévy, tr., Sun Tzu. L’art de la guerre, Paris: Hachette, 2000. A mais recente versão francesa com base no texto descoberto em 1972. Sun Tzu: The Art of War, (Thomas Cleary, translation & commentary), Boston: Shambhala Publications, 1988), A traducão de T. Cleary tem um teor fortemente  filosófico e algo poético.

Sawyer, Ralph D. The Complete Art of War ( Sun Zi, Sun Bin ). 1992. Sawyer é considerado para além de qualquer dúvida um dos maiores especialistas ocidentais em pensamento militar chinês.

Sawyer, Ralph D. Military Methods. Westview Press, 1995. Excelente edicão bilingue do Sun Bin.

Ralph D. Sawyer, The Tao of Deception. Unorthodox Warfare in Historic and Modern China. Nova York: Basic Books, 2007).Um dos mais argutos estudos sobre a tradicão chinesa do estratagema e do ludibrio/ardil.

Minford, John: The Art of War. The essential translation of the classic book of life. New York: Viking, 2002. Minford é sinólogo e copioso tradutor de textos do chinês clássico e moderno. Talvez apenas o sueco Göran Malmqvist haja traduzido tanto modernamente.

Cardoso, Alberto Mendes. Os Treze Momentos: análise da obra de Sun Zu. Rio de Janeiro, Biblioteca do Exército ed., 1987.

Sebastian de Grazia (ed). Masters of Chinese Political Thought: From the beginnings to the Han Dynasty. New York: Viking Press, 1973.

Arthur Waldron, “The Art of Shi,” The New Republic. 1997: June 23, pp. 36-41. A review of Cultural Realism: Strategic Culture and Grand Strategy in Chinese History. Interessante estudo sobre o conceito axial da vantagem estratégica ou momentum- shi.

One Response to O MÉTODO MILITAR DE SUN ZI: ASPECTOS FILOSÓFICOS E GEOPOLÍTICOS

  1. Raissa Laban says:

    Grato pelas observações sr. Cruz, esperando que a leitura do texto lhe hja preopiciado algo!

    Jesualdo Correia

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *